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Agricultura Sustentável: O Amanhecer de uma Nova Era

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Fonte: Compre Rural | Casa de Campo Grande | MS

O ano de 2018 foi de grandes conquistas para a Agricultura Sustentável e de grandes promessas para o ano que se aproxima.Por José Luis M. Garcia

O ano de 2018 pode ser considerado, por várias razões, o ano do amanhecer de uma nova era da Agricultura, da mesma forma que marca o início do anoitecer de uma velha e desgastada forma de fazer agricultura, iniciada no ano de 1840, por conta dos caprichos de Justus von Liebig, que têm sido amplamente adotados tanto pela academia como da indústria não se importando com as conseqüências, nem com o meio ambiente e muito menos com a verdadeira ciência.

Nestes quase 180 anos, de uma forma de guerra de praticar a agricultura, isto é, usando critérios militares, em vez de critérios biológicos e científicos, nunca a verdadeira ciência tem sido tão vilipendiada, desrespeitada, manipulada, escamoteada e vilanizada, pela academia das tais “ciências agrícolas, especialmente a chamada “química”, agrícola, com se fosse possível existir tais aberrações científicas.

As verdadeiras ciências são, e sempre serão, a Matemática, a Física, a Química e a Biologia, além de suas correntes decorrentes, como a Físico-Química, a Bioquímica, a Bio-Física, Microbiologia, etc..

Para a venda de produtos químicos altamente poluentes e tóxicos e práticas degradantes do meio ambiente, chegaram a criar neologismos como “Life Sciences”, entre outros.

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Este ano tivemos vários marcos dignos de nota. Foi o ano em que podemos identificar o chamado Tripé Brasileiro de Agricultura Sustentável, composto por uma aplicação de Pó de Pedra, batizada de Rochagem, pelo uso intensivo de Culturas de Cobertura, o chamado “Coquetel”, e pelo Uso Intensivo de Organismos Biológicos, seja de forma isolada para controlar pontualmente problemas de insetos, fungos e nematóides ou pela aplicação de alguns consórcios comerciais disponíveis no mercado brasileiro e comprovada eficácia como ativadores de microbiologia do solo, como ponto de partida para a emancipação dos agricultores brasileiros, rumo à sua auto-suficiência.

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Foi o ano em que o Brasil já produziu mais soja do que os Estados Unidos e também foi o ano em que a comunidade agrícola internacional despertou para o fato de que existe uma nova forma de fazer agricultura e deu um grande e rotundo “Basta!” ao sistema escravizante, oneroso, poluente, mentiroso, enganoso e pouco lucrativo do processo convencional de cultivar as plantas.

Informação recebida de um amigo australiano Graeme Sait, a Nutri-Tech Solutions, dá-nos conta que no seu último curso ministrado no Canadá, no mês de dezembro, a área agricultável entre os participantes do curso, vendeu mais de 2 milhões de hectares. A mesma tendência que tenho observado entre os participantes de Hectares USA 2018, que me informaram ter mais de 10% da área agricultável nos estados UNIDOS utilizando conceitos da chamada agricultura regenerativa, algumas vezes chamada de eco-agricultura, ou mesmo de uma agricultura sustentável, onde o uso de insumos químicos foi reduzido a um mínimo, quando não foi removido completamente.

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No Brasil, tivemos o sucesso do II Fórum de Agricultura Sustentável, realizado em Goiânia entre os dias 20 e 22 de Agosto de 2018, quando 500 participantes tiveram a oportunidade de aplaudir arduamente novos conceitos como Rochagem, Saúde do Solo, Cultivos de Cobertura usando várias espécies, Uso de organismos biológicos na agricultura e a Agricultura Sintróprica entre outros. Estima-Se que, hoje em dia, cerca de 15% da área agricultável utilizada pela agricultura brasileira já faz, de uma forma ou de outra, a chamada Agricultura Sustentável no Brasil.

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Bio-Fábricas que existem em diversas propriedades agrícolas de grande porte, como as do Grupo Franciosi, deixaram os americanos de “boca aberta” e não considero prematuro afirmar que é chegada a hora de invertermos o jogo” e que os americanos venham ao Brasil para aprender como, de fato, se há uma agricultura verdadeiramente sustentável.

Afinal de contas, vários conceitos nos quais hoje se escoram têm a sua origem em terras brasileiras, como por exemplo, o plantio direto e o uso de plantas de cobertura com várias espécies, introduzido no país pelo eminente cientista compatriota, o Dr. Ademir Calegari do IAPAR, hoje aposentado, mas não inativo, muito pelo contrário. Além do uso do Rolo-Faca para efetuar a rescisão de plantas de cobertura em solos destinados ao plantio direto sem uso de herbicidas.

Bactéria AzospirillumOs americanos teriam, então, a oportunidade de aprender quem foi a Dra Johanna Dobereinner, descobridor de um novo gênero de bactérias, rebatizada por ela, o Azospirillum, e a indicação ao Prêmio Nobel, e cujas pesquisas nos trazem hoje uma economia superior a 2 mil milhões de dólares por ano na importação de fertilizantes nitrogenados, por seus trabalhos com a soja, que promove a fixação de seu próprio Nitrogênio, bem como de seus trabalhos contra o Programa Governamental Pró-Álcool.

Foi também o ano em que a Monsanto foi multada em 289 milhões de dólares no caso do infeliz fazendeiro, que contraiu câncer pelo uso de Round-Up na Califórnia e, ao que tudo indica, existe um rol de outras ações semelhantes no caminho que totalizariam o valor de 13 mil milhões de Dólares. E o mais irônico é que isto aconteceu pouco depois de a gigante alemã Bayer ter adquirido a Monsanto pela soma aparentemente “pequeno” de 11,4 Milhões de Dólares, e que todo o seu verdadeiro exército de advogados não foi suficiente para frear a avalanche dessas ações que ainda estão por vir. A vida tem demonstrado que a cobiça nem sempre compensa e que o poder dos advogados não é ilimitado, como pensam alguns políticos que insistem em transgredir a lei. Querer ser a empresa número 1 na área agrícola mundial está custando muito caro para a gigante alemã.

Que, neste caso, da Bayer, que perdeu em um único dia a mais do que o valor pago pela Monsanto, sirva de exemplo para todos os que directa ou indirectamente estejam relacionados com o fabrico, a comercialização, a autorização do uso ( leia MAPA ) e o uso propriamente dito do Glifosato, já que a qualquer momento poderão ser processados. A jurisprudência neste sentido já existem de sobra.

Até que consigam se livrar do uso deste herbicida agente sugiro que reduzam a sua aplicação a um litro por hectare e o link para o ácido húmico e ácido cítrico ou ácido acético, para aumentar a eficiência e a letalidade sobre as plantas invasoras, ao passo que diminui significativamente o impacto ambiental.

Também é preciso que fique claro entre os agricultores que o sistema de semeadura direta, em que, apesar de todas as vantagens que já conhecemos de não destruir a estrutura física e aumentar a matéria orgânica do solo, ainda é necessário resolver dois grandes problemas, que são a extrema dependência do mesmo herbicida agente e que, este aumento da M. O., não está relacionado com o aumento de Húmus do solo, que é justamente a fração ativa do Carbono orgânico do solo que, por assim dizer, alimenta e ativa a micro-vida do solo.

O uso de Plantas de CoberturaA o engenho humano dará sempre uma maneira de vislumbrar alguma alternativa para o principal agrotóxico utilizado na agricultura, que já está sendo chamado de “o novo DDT”, mas que, na realidade, sabemos que é muito pior que o antigo, e é proibido agrotóxico, ironicamente, também fabricado, na época, pela própria Monsanto. O uso de Plantas de Cobertura com a sua conclusão feita com Rolo-Faca, em vez de herbicidas, é apenas uma delas. O advento das novas tecnologias à base de choque elétrico ou à base de chama de gás propano dirigidas as entre linhas, também podem ser outras alternativas no futuro.

Igualmente, em 2018, tivemos a oportunidade de ministrar dois cursos, apesar das dificuldades de ordem pessoal, em Santa Maria, RS, destinado quase que exclusivamente para os agricultores, outro em Três Pontas, MG, destinado basicamente a produtores e de outro curso já está programado para ser ministrado em Pindamonhangaba, são paulo, nos próximos dias 12 e 13 de Janeiro de 2019, o que demonstra o aumento do interesse em conhecer as práticas agrícolas sustentáveis e eficientes.

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em Resumo, o futuro sorri para aqueles agricultores que têm a ousadia de pensar “fora da caixa” e decidem trabalhar em parceria com a Natureza, ao contrário da demência acadêmico-industrial de trabalhar contra ela.

Desejo a todos um Feliz Natal e Um Próspero ano de 2019, com bastante realizações no campo da sustentabilidade e o uso de práticas e técnicas agrícolas que respeitem a Natureza.

“Estudem a Natureza e não com os livros “.

William A. Albrecht, PhD

“O Conhecimento é obtido por meio da leitura, do estudo e da aprendizagem formal, mas a sabedoria só se obtém pela observação atenta da Natureza e pela faculdade de conversar com as plantas e com outros agricultores”. John Kempf.

José Luis M Garcia, Sítio Boa Vista, Leme, S. P.
Eng. Agr. M. Sc. Fisiologia e Bioquímica / MSU e USP.

Via Instituto de Agricultura Biológica